quinta-feira, 1 de março de 2012

Será que temos consciência do poder da palavra falada?



Será que nós temos consciência da dimensão do poder da palavra falada e como ela está permanentemente presente no nosso dia a dia e como ela determina nossa realidade?

A palavra falada é a origem da comunicação e a responsável pela formação da linguagem. Não é apenas uma das formas de comunicação, ela é a essência da comunicação humana. Ela está presente em nossas vidas antes mesmo de nascermos.

O livro ‘O Efeito Mozart’ de autoria de Dom Campbell, relata as experiências do Dr. Alfred Tomatis, M.D., médico francês, dedicado a pesquisas sobre a audição humana nas quais ele descobriu que a voz da mãe serve como cordão umbilical sônico para o  bebê em desenvolvimento e também como fonte primeira de estímulo.

O autor afirma que o feto é capaz de escutar. O ouvido é o primeiro “órgão” a se desenvolver no embrião, ou seja, o que a futura mamãe ouve, sejam as suas músicas preferidas, as conversas, ou outros sons, é ouvido também pelo futuro bebê a partir dos quatro meses e meio de gestação, e interfere nas características dele que começam a se manifestar já nos primeiros meses de vida.

Tomatis afirma que “a nutrição vocal que a mãe provê é tão importante como o seu leite para o desenvolvimento da criança”. O primeiro choro é que marca o início da nossa vida. Antes de darmos os primeiros passos, já pronunciamos as primeiras palavras. A criança passa a aprender, desde bebê, que a voz é o instrumento básico para o relacionamento com o mundo. A voz, de muitas maneiras, é a função do corpo que mais se expõe e que mais expõe a nossa individualidade, nossas particularidades, nossa alma.

Ele descobriu que “a voz só pode reproduzir o que o ouvido pode ouvir”, uma teoria com aplicações práticas profundas para o desenvolvimento da linguagem – inicialmente ridicularizada, mas depois amplamente aceita pela Academia Francesa de Medicina. Os batimentos cardíacos estão particularmente sintonizados com sons que determinam a musicalidade de todo o corpo, enquanto a base da voz é a respiração. Aspiramos o ar, o levamos de nossos pulmões até as profundezas das células e o devolvemos ao mundo.

No grego, a palavra “respiração” significa espírito, fôlego. A palavra hebraica ruach significa não só espírito do gênese flutuante sobre a terra, o espírito de Deus pairava – vibrava sobre os elementos, mas também o hálito de Deus.

Se aprender a falar é o primeiro passo, supondo que o estudo das palavras se conclui o estudo das idéias, aprender a ouvir é o segundo passo e com certeza uma das questões centrais no desenvolvimento educacional. Ao ouvir aprendemos mais a pensar do que falar, porque esta audição é feita pela própria substancia da palavra, dando a retórica apenas uma função reguladora e exterior.

Fonte: Jorge Cury Neto

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Comunicação interpessoal



O assunto desta temática se situa na fronteira de diversos campos do conhecimento: lingüística, fonética, teoria da comunicação, semântica, psicologia, sociologia, matemática e métodos quantitativos. Isso dificulta sua discussão e a escolha de definições aplicáveis. No novo dicionário da língua portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda, comunicação é “fazer saber, tornar comum, participar”. Assim como, interpessoal (inter + pessoal) se refere à relação entre as pessoas.

Como um ser sociável, o homem possibilitou e garantiu a vida social por meio dos diferentes sistemas de comunicação que desenvolveu. À medida que a globalização avança, o mundo vai se tornando uma arena de diversidade, em que as pessoas se interagem utilizando códigos comuns, inteligíveis. Seu povo difere não apenas em termos tradicionais, como idade, sexo, raça, racionalidade, escolaridade, profissão, estado civil e organização familiar, mas também em termos de atividades e interesses, preferências e opiniões. As pessoas diferem na música de que gostam, nos programas de televisão a que assistem.

A maior parte do conhecimento do mundo presente no indivíduo é derivada do social, segundo Schutz (1979), proporcionada pelas intensas relações interpessoais que, diariamente, se estabelecem entre diferentes grupos. Trata-se de contribuição, como socialidade constituída, com base na riqueza do cotidiano criado por meio das comunicações interpessoais em ambientes de comunicação comum.

Os ambientes de comunicação comum são caracterizados por serem relativos às pessoas que se encontram uma às outras dentro desse ambiente e ao ambiente em si, diz Schutz (1979), formando uma comunidade social. A socialidade se estabelece por meios comunicativos, e, no ambiente de comunicação comum, a subjetividade individual se soma à do grupo, encaminhando para uma correspondência maior.

As organizações empresariais, como mais um cenário do desenrolar dos papéis do homem, oferecem inúmeras possibilidades de comunicação. Ao mesmo tempo, para sua sobrevivência e aprimoramento, dependem de processos de comunicação cada vez mais claros, fidedignos e apropriados. Todavia, os gestores permanecem em freqüente interação, em comunicação com subordinados, pares, clientes, fornecedores, atendendo a demandas organizacionais como reuniões, almoços, festas da empresa, negociando contratos, concedendo entrevistas, redigindo pronunciamentos, ou realizando feedback e follow up. Enfim, os gestores se encontram na organização envolvidos com a comunicação.

Mencionando a importância da comunicação, Fleury e Fischer (1996) afirmam que a comunicação constitui um dos elementos essenciais no processo de criação, transmissão e cristalização do universo simbólico de uma organização.

Feedback é um termo emprestado da eletrônica (parte da física dedicada ao estudo do comportamento de circuitos elétricos que contenham válvulas, semicondutores, transdutores etc.). Esta expressão significa transferência de parte do produto de um circuito ativo ou esquema de volta ao fator, como um efeito desnecessário ou de uso intencional, como, por exemplo, reduzir distorção ou processo pelo qual os fatores que produzem o resultado são por eles mesmos modificados, corrigidos, fortalecidos etc, pelo próprio resultado.

No campo organizacional, feedback é o processo de se dizer a uma pessoa como você se sente em função do que ela fez ou disse. Trata-se de um meio que faz parte de um modelo de interação, em que existe o retorno da reação do receptor à mensagem enviada pelo emissor. São, também, sinais que permitem conhecer o resultado da mensagem. Um ponto crítico deste processo, é que não considera importantes aspectos da interação entre emissor e receptor, como a percepção de um sobre o outro.

Bridges (1996) ressalta que, estamos mudando nossa forma de compreender a realidade. Gradualmente os modelos e metáforas da Física, que sempre serviram de referência para as empresas, estão sendo transferidos para os referenciais da Biologia. O modelo da Física sugere o linear, causa e efeito racional. O modelo da Biologia sugere o holístico, interconectado, adaptativo e sistêmico. Estamos vivendo um processo que cada vez mais se parece com uma elaborada cadeia de sistemas de feedback de informações comparável aos organismos biológicos; de grande interação, a gestão das empresas terá que ser de igual forma dinâmica, adaptativa e biológica.

Follow up, segundo Collins (1995), é o processo de comunicação de levar adiante ou responder a algum questionamento ou alguma pessoa. Sinônimo de acompanhamento. Prática de monitoramento da situação real de um processo de forma a possibilitar o cumprimento de objetivos e metas.

Tanto o feedback como o follow up são processos de comunicação que fazem parte da comunicação na empresa. Ambos podem ser realizados na forma escrita por meio de memorandos, ofícios, e-mail, circular ou oral, por meio de reuniões marcadas ou não, com a presença física ou não do emissor da mensagem e do receptor.

De acordo com Brum (2005), a informação é o produto da Comunicação e a principal estratégia de aproximação entre a empresa e seus empregados. É assim, como define a comunicação interpessoal, fundamental nestes novos tempos, como a comunicação entre pessoas. Ela diz que a comunicação interna quando bem feita, pode contribuir para a comunicação interpessoal, pelo simples fato de que a primeira prevê a democratização da informação, beneficiando a segunda.

Deste modo, a comunicação interna deve fazer parte das ações cotidianas no mundo corporativo, assim como, possuir práticas exclusivas voltadas para o seu desenvolvimento, com o intuito de propagar informações e interagir todos os seus recursos, como o humano intangível, e o tangível.

Fonte: Kátia T. Fonseca

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Planejar e Medir: a ordem certa

Planejar vem antes de medir: uma obviedade, dirão alguns. Será? Vejamos mais de perto e em ordem cronológica.

O início do ano civil no Brasil coincide, para grande parte das empresas, com o início do ano fiscal. A associação ao espírito do Ano Novo que sugere uma interrupção e, praticamente, nova chance para os indivíduos, constitui o caldo de cultura desejado para que proliferem iniciativas e planejamentos no mundo empresarial.

À coincidência do início dos anos civil e fiscal, característica de nosso país, agrega-se a associação do tempo de avaliação do profissional e de sua produtividade – expressa, muitas vezes, em bônus ou, mais simplesmente ainda, na continuidade do posto de trabalho. Tamanha superposição de objetivos distintos – cumprimento de metas, avaliação pessoal, performance – acaba por contaminar o espírito do planejamento eficaz, uma vez que tudo deve ser alcançado no período de um ano.

E é assim que, à semelhança do mundo político – e com autoestima e autoconfiança renovadas que as equipes, muitas vezes sem ter tido obtido as metas fixadas para o ano anterior – ainda que com o reforço de novos integrantes -propõem a interrupção dos caminhos observados para iniciar um novo caminho, propor uma nova ordem. Mas a essa altura, fevereiro já começou.....

Na pressa de desenhar e obter o acordo dos superiores sobre o planejamento,muitos dos profissionais de comunicação e marketing elaboram e contratam parceiros sem que tenham se debruçado suficientemente sobre diagnósticos aprofundados efetuados sobre realidades que trabalham – em nome de uma gestão orientada para resultados. E imediatamente preveem, também, um formato de mensuração de resultados sem que tenha sido avaliada, por exemplo, a vantagem de se trabalhar com um monitoramento (por definição, contínuo) o que permite identificar “pontos fora da curva” muito antes da constatação de (maus) resultados alcançados. Mas tudo isso leva um certo tempo...

E março começa com as equipes iniciando múltiplos projetos com o apoio de parceiros a quem, muitas vezes, não foi apresentado o mapa (ainda que mental) dos diferentes projetos e ações que comporão planejamento do ano bem como seus limites de budget, seja por falta de tempo ou por falta de clareza dos resultados desejados. Erro maior: iniciam-se as ações sem que as metas tenham sido claramente identificadas e, portanto, sem que tenha sido concebida – metodologicamente – a avaliação do resultado final.

No início do segundo semestre, em agosto e setembro, com as múltiplas apresentações de parceiros distintos em diferentes formatos, as equipes que começaram então a sofrer as pressões do início da reta final exigem de seus parceiros num primeiro momento a homogeneidade que elas próprias não puderam construir. Correlato da exigência não passível de ser cumprida, a decepção... E as dúvidas: escolhi bem?

O final do ano chega com o apelo a consultores que possam, de alguma forma, apresentar uma mensuração de resultados e resolver o impasse criado pela armadilha das coincidências do ano novo. É só então que a verdade surge da maneira mais cruel, tanto para a empresa, quanto para os fornecedores parceiros. A empresa descobre que não é possível medir aquilo que não foi desenhado de forma a ser medido no planejamento. E os fornecedores parceiros descobrem que serão substituídos no ano seguinte

Desejo que neste ano as empresas – e as equipes - deixem de acreditam em mágica! Donosso ladocontinuaremos a trabalhar em 2012 lado a lado com as equipes, contribuindo para que tenham visibilidade e eficiência reconhecidas. E, principalmente, auxiliando-as a começar 2013 de uma maneira muito diferente

Fonte: Cristina Panella

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Use QR Code em sua comunicação



Segundo o Wikipedia, o QR Code (acrônimo do inglês Quick Response) iniciou-se, em 1994, para catalogar diferentes partes de veículos e em 2003 começaram a ser desenvolvidas aplicações direcionadas para armazenar dados em telefones celulares através da câmera fotográfica.

Você já deve ter visto este código em muitos produtos em supermercados, campanhas, anúncios de revistas e jornais e até mesmo em sites, mas talvez não tenha despertado o interesse em saber como tudo isso funciona. É muito simples, rápido e prático. Em poucos minutos você poderá criar seus próprios códigos e começar a usar em seus produtos, serviços e até mesmo com seu público interno.

O QR Code são códigos 2D cada vez mais utilizados em campanhas de marketing e que podem ser escaneados pela maioria dos aparelhos celulares e tablets. Esse código, após a decodificação, passa a ser um trecho de texto, um link e/ou um link que irá redirecionar o acesso ao conteúdo publicado em algum site.

Imagine espalhar códigos pelos corredores da empresa onde, ao serem escaneados pelos funcionários, mostrarão mensagens que poderiam talvez não serem lidas se fossem colocadas no jornal mural. É um modo “divertido” e interativo de enviar ao receptor mais informações sobre um produto ou campanha, levando-o a um link que lhe entregue algum conteúdo onde ele mesmo despertou a curiosidade e interesse em saber o que estaria “escondido” por trás daquele código.


Alguns dados históricos

No Brasil, o primeiro anúncio publicitário a utilizar o código QR foi publicado pela Fast Shop em dezembro de 2007. Mais tarde a Nova Schin publicou um anúncio com o código em junho de 2008 e a Claro fez uma campanha utilizando o Código QR em novembro de 2008. A Revista Galileu, da Editora Globo, também aderiu QR para que o usuário tivesse acesso a informações extras através do seu celular.

Também em novembro de 2008, durante o Salão do Automóvel, a Volkswagen aproveitou o código para uma pequena ação em seu estande.

O Jornal A TARDE, da cidade de Salvador - Bahia tem usado o QR Code desde 10 de dezembro de 2008. Foi o primeiro jornal impresso no País - reconhecido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) - a utilizar o código em suas páginas como selo integrador de mídias; levando o leitor do papel-jornal ao dispositivo móvel (celular).


Como criar seus códigos

Passo 1 – Selecione o link para qual você deseja redirecionar o receptor de sua mensagem. Por exemplo: http://www.aberje.com.br;

Passo 2 – Entre no site www.goo.gl e insira a URL acima e clique em “shorten”;

Passo 3 – Copie a URL exibida ao lado de “shorten”

Passo 4 – Cole essa URL no endereço do navegador e no final insira “.qr”. Exemplo de como ficará: http://goo.gl/sgRVk.qr;

Passo 5 – Aperte “enter“ e veja a imagem QR Code gerada.

Agora, basta usar a criatividade e inserir essa imagem em sua campanha de comunicação.

Existem diversos aplicativos para celulares e tablets para que você possa escanear essas imagens. Busque por “QR Code” e baixe, gratuitamente. O procedimento de leitura de um QR Code é simples. Execute o aplicativo instalado no seu celular, posicione a câmera digital de maneira que o código seja escaneado. Em instantes, o programa exibirá o conteúdo decodificado ou irá redirecioná-lo para o site do link que estava no código.

Simples, né? Agora, com certeza você está cheio de idéias para o bom uso disso. Mãos à obra e vamos “surfar”, também, nesta onda tecnológica!
 
Fonte: Diego Dias Fávero

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sustentabilidade, comunicação interna e a prevenção de crises



O maior acidente ambiental da história dos EUA, com o vazamento de óleo no Golfo do México, em 2010, nos mostrou que três grandes empresas (BP, Haliburton e Transocean) deveriam ter se comunicado melhor para trocar conhecimentos vitais nos processos de trabalho e integrar os elos da terceirização. Como as crises não escolhem hora, nem lugar, recentemente outro acidente ambiental, desta vez sob a bandeira da Chevron, no litoral brasileiro, dilapidou valor dessa gigante global e de sua marca.

Num mundo complexo e cheio de riscos - cada vez mais abrangentes e de impactos globais, uma desculpa como a da "imprevisibilidade dos acontecimentos" há tempos não encontra mais espaço nas mesas de reunião. Prevenir riscos é questão fundamental para quem se pretende se tornar “sustentável”.

Nesse sentido, a sustentabilidade e sua exigência por "paradigmas de referência cósmica" (ASHLEY, 2002, P.49) servem como uma bússola para o mapeamento sistêmico de riscos através de um aprendizado permanente da empresa em suas relações em rede, com diferentes stakeholders.

A sustentabilidade em suas dimensões ambientais, sociais, econômicas, culturais, afetivas e até espirituais é muito mais do que um air bag preventivo de crises nos diferentes segmentos do negócio. Ela é transformação da empresa enquanto máquina, para uma empresa mais humana, coerente e consciente de suas responsabilidades, de seus cuidados para com a vida no planeta.

Na visão sistêmica de uma companhia tal qual uma “organização do vivo” (ROMESÍN e GARCIA, 1997) onde a dinâmica do trabalho pode ser comparada com os movimentos internos de um corpo e não mais como engrenagens maquinímicas, suas células, fluxos, nervos, emoções e musculatura pulsam de maneira integrada. Aqui, mais uma vez, podemos perceber o valor do reunir, organizar, interagir e produzir sob as lentes da sustentabilidade.

No delicado equilíbrio entre cada órgão, cada ponto de contato influi no conjunto vivo, assim como uma pequena pedra no sapato machuca e compromete o balanço do caminhar. Diante disso, não é difícil entender que a comunicação interna pode facilitar a identificação de pontos fragilizados, atuando na prevenção de riscos e de crises. Para essa perspectiva se realizar, a comunicação deve fluir espontânea, aberta e participativa. Não há organismo vivo onde a comunicação seja estanque ou fragmentada. Um ser vivo é a prova essencial de que o comunicar renova, anima e constrói, unindo as partes num todo comum indissociável.

No perceber de que um “negócio sustentável” é como este corpo indivisível e inseparável do meio no qual habita, a empresa descobre-se interdependente de seus próprios órgãos e de suas relações. Nada existe por si só, assim como não existe cultura para um ser-humano solitário. Uma empresa não é um astro cujos satélites giram ao seu redor. A teia é multifacetada, as órbitas se confundem e o equilíbrio dinâmico reina sobre o conjunto.

É diante dessa premissa que a comunicação interna harmoniza relações e esclarece o processo de busca da sustentabilidade corporativa, de modo a prever possíveis crises e a administrá-las com a necessária coerência entre o pensar, o sentir e o agir.

Imagina-se que se a comunicação interna fosse fluída, constante, com canais confiáveis e transparentes, os riscos dos acidentes da BP e da Chevron poderiam ter sido considerados com a devida cautela. Quem sabe, até evitados. Tudo indica que não foi isso que aconteceu.

Se as lideranças não sabem se comunicar, pois não sabem ouvir, o processo de role-modeling cria uma cultura avessa à comunicação, qual um organismo vivo funcionando com um marca passo de controle artificial e externo. A crise surge (e ressurgirá) como sintoma da doença do silêncio e da arrogância, características perigosas do descaso com uma verdadeira “ética do cuidado”.

Se os sinais de fragilidade deveriam ter sido ouvidos através de uma boa conversa, foram os alertas atentos do pessoal da operação que ficaram perdidos pelos corredores. A palavra, princípio essencial da comunicação interna, encontrou portas e corações fechados. A sustentabilidade ficou reduzidaao anúncio publicitário, uma intenção distante da realidade.

O prejuízo com a crise, nos dois exemplos citados, trouxe uma fatura mais cara e pesada aos bolsos dos acionistas do que as ações preventivas, do que o planejamento de uma comunicação interna capaz de circular como o oxigênio:vital para qualquer célula respirar. Vamos lembrar que os escritórios de advocacia agora envolvidos nas questões judiciais, nas multas, licenças, processos e indenizações são muito mais dispendiosos do que a elaboração de uma política de comunicação interna alinhada à sustentabilidade, da existência de uma equipe de comunicadores levada à sério em suas recomendações.Isso sem falar nas pancadas que a reputação dessas empresas sofreu.

Sustentabilidade, prevenção de riscos, comunicação interna e gestão de crisesdevem andar assim, juntas como o físico, a mente, a emoção e o espírito. E, como as crises nos obrigam a entender: inseparáveis.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Comunicadores como tricoteiros

Ano novo, tempos novos, tempos nossos. Ano bissexto, com 366 dias para desenrolarmos interessantes narrativas, unirmos novos pontos e nos envolvermos em comunicações inovadoras. Para fazer, desfazer e refazer os nós da vida e tramar, de forma organizada, representações em palavras e imagens, ações em histórias e sentimentos em memórias. Tempo de exercício de humildade e de curiosidade - do bem pensar para o entrelaçamento das virtudes, dos talentos e das destrezas com a vivacidade, o olhar prudente e o sentido da oportunidade.

É preciso refletir sobre o que já foi arrematado, unido e construído no passado para reconhecer os esforços, as fraquezas e as qualidades, mas também planejar os pontos futuros. É preciso observar os meios fornecidos pelas tramas que a vida vai tecendo, para que possam ser adaptados os talentos às oportunidades que surgirão, porque sem as oportunidades, o valor pessoal se terá apagado e sem a virtude, as ocasiões surgem em vão, como coloca Maquiavel em “O Príncipe”, livro escrito em 1513.

Tricotamos os primeiros pontos do novo ano. E o que devemos esperar encontrar durante o entrelaçar dos dias e dos acontecimentos? Oportunidades. Incertas serão, mas devemos saber enxergá-las e adaptar nossos talentos a elas. Em uma realidade complexa, parecemos estar envoltos sobre o caos, onde tudo pode acontecer e nada pode ser previsto. Porém, em um universo cristão, em que Deus faz tudo segundo um propósito, a expressão popular de que “Deus é tricoteiro”, evidencia que Ele passa a dar sentido a todo o caos, arrematando os nós da vida. Demonstra que, perante uma realização, ponto a ponto vivenciado e experimentado são importantes, e que as voltas que a vida dá acabam por se enlaçarem em uma definição significativa de que é no caos que as oportunidades também são tecidas.

Com as novas tecnologias e com as redes sociais, o caos parece evidenciar as imprevisões e as reações das pessoas em relação a uma comunicação. É preciso enxergar as oportunidades tecidas nesta realidade digital e adaptar a elas as habilidades, agilidades e desembaraços de um comunicador. Enredar-nos em ações comunicacionais inovadoras, como o desenrolar de boas narrativas, que vão sendo entrelaçadas com as experiências, histórias e memórias dos participantes. Dessa maneira, eles podem se envolver e perceber que todos os pontos por eles vivenciados e experimentados produzem também um resultado significativo.

As pessoas querem ser livres, participar, agir, dar suas opiniões e contar suas histórias, mas também querem que seus atos e palavras tenham algum efeito, resposta e sentido. É o que podemos notar, por exemplo, nas comunidades online: grandes oportunidades para a comunicação empresarial. Devemos observar os valores das histórias contadas, as informações compartilhadas e os interesses semelhantes. Essas micronarrativas, tecidas em depoimentos e comentários, criam e recriam o sentido da comunicação, entrelaçando pontos de vista e sentimentos.

Ocorre um tricotar de experiências, as quais, ponto por ponto, as pessoas vão construindo uma narrativa maior, acrescentando suas verdades e a enriquecendo. Segundo Nassar (2012), é importante para o comunicador empresarial entender que estas pequenas narrativas compartilhadas constroem uma narrativa alicerçada naquilo que foi (ou é) relevante para cada indivíduo, grupo ou organização. Se este ponto for considerado, mais facilmente será possível uma comunicação efetiva, focada nas crenças, na cultura, no comportamento e nos símbolos, pelos quais as pessoas se identificam. Por isso, torna-se tão relevante tricotar estes pontos e dar um sentido a eles, a favor tanto do que a empresa deseja comunicar como em relação aos efeitos que os participantes esperam.

Esta troca de experiências comuns, este compartilhamento de conhecimento nas comunidades online, acabam por consolidar relacionamentos de confiança entre os membros, convencendo-se fielmente sobre aquilo que comunicam uns aos outros. Por isso, mais importante que o conteúdo entrelaçado pelos tricoteiros das comunidades, ou seja, melhor que a “fofoca” em si, seja em relação a um produto ou a uma marca, são os vínculos sociais criados por meio da troca destes “segredos” entre os participantes (JENKINS, 2009).  O que pode gerar pontos positivos ou negativos para uma comunicação, pois, por vezes, podem ser criados nós, enrolando uma crise comunicacional. Isso demonstra que, sendo tricoteiros os seus participantes, os comunicadores precisam também interagir e perceber a riqueza dessas chamadas “fofocas”, que podem e devem ser valorizadas como discussão e influência mútua.

Como tricoteiros, os comunicadores precisam estar atentos com os pontos levantados por seus públicos e tecer, com eles, narrativas que gerem um sentido tanto para a empresa como para as pessoas. É preciso também tricotar/conversar com os indivíduos que falam sobre a empresa, interagindo e valorizando as discussões, perante estas necessidades que as pessoas sentem de compartilhar suas experiências. Com isso tudo, precisamos pensar quais narrativas queremos desenrolar e fazer as pessoas se amarrarem nelas. E, se surgir crises, vamos desatar os nós!

Fonte: Emiliana Pomarico Ribeiro

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quem é o gestor da marca?

Várias vezes empresários têm me feito essa pergunta. Ora, a lógica nos mostra que no contexto competitivo e comoditizado do século XXI, onde diferenciais tangíveis e intangíveis têm um mesmo valor,uma marca forte é condição de permanência no mercado com sucesso. O publicitário Ronald Assumpção criou o processo A Marca da Marca no qual afirmava que “os consumidores adotam marcas a partir dos estímulos fornecidos pelos donos das marcas”.  Para mim, os estímulos a serem fornecidos atualmente têm a ver com aidentidade, reputação e imagem da marca.

Por isso, respondo que o gestor da marca deve ser um profissional que tenha o poder de alinhar estrategicamente estes três elementos que compõem sua marca e a tornam consistente.

A identidade da marca – Nela estão todos os insumos tangíveis que uma agência de publicidade sabe criar e estabelecer: o visual e a logotipia, slogans ou mensagens que constroem benefícios materiais e sensoriais, o invólucro ou a embalagem, a estética ou o design, o posicionamento que as campanhas publicitárias de produto e serviços divulgam. Sempre uma ação com resultados imediatos, que por isto carece dos demais elementos para continuar acontecendo.

A reputação da marca – É formada pela credibilidade, confiabilidade e competência. Materializa-se pela qualidade do conteúdo e da gestão administrativa, além da estabilidade de sua permanência frente à sociedade e ao mercado. Componente
mais frágil de uma marca, a formação da reputação se dá em médio e longo prazo, mas exige comprovação, legitimação e atenção permanentes.Com um ruído descuidado, a reputação desaba!

A imagem da marca - 100% intangível. Os principais insumos para sua construção e fixação são a exposição, aceitação e percepção criadas em seu entorno. Para alcançar uma imagem positiva para uma marca os resultados não chegam a curto prazo. Quanto mais acessível e positiva for a imagem da marca, menos rejeição ela sofre e mais presente se conserva junto ao seu público-alvo e a seus consumidores.

O alinhamento entre identidade, reputação e imagem de uma marca é essencial para manter seu ritmo e seu conteúdo. A reputação e imagem da marca são construídas e alimentadas pelas relações públicas cujos profissionais estão sempre atentos para alimentar e consolidar as informações e alcançar sua estabilidade. O gestor da marca acredita que a harmonia entre os três elementos não se conserva em permanente equilíbrio. Isto porque a marca é tão vital como um coração humano que passa por fases de maior ou menor amplitude e batimentos, dependendo de variantes sociais e mercadológicas que pode sofrer. É importante, nessas horas, ter um estabilizador a mão, ou seja, um guia de prevenção de riscos.

Uma crise interna ou externa pode gerar a ruptura da convivência harmônica: torna-se então importante que o gestor da marca utilize mais de uma ferramenta com maior ou menor intensidade para protegê-la. E disponha de maior flexibilidade financeira e operacional para tomar uma decisão. O que o posiciona forçosamente no corpo diretivo da organização.Nas economias modernas, o CEO é o responsável pela marca, pois ela passou a ser um dos ativos mais representativos no conjunto do patrimônio da empresa. Zelar pela marca é desenvolver gestão de valor.  Saber encontrar o modelocorreto para gerir a marca é a sua atribuição. Além disso, quando a marca sofre uma agressão, o impacto se faz ver imediatamente na queda do valor da ação. Vide casos recentes de grandes corporações como o grupo de mídia News Corporation, de Rupert Murdoch, atingido pelo escândalo das escutas de personalidades e do fechamento do jornal inglês News of the World.

O que respondo é o que vejo acontecer no mercado e que me parece o mais coerente. O que tem sido adotado é designar um administrador corporativo como guardião da marca - um alto executivo que coordena as pessoas, a comunicação, o marketing, as relações institucionais e a governança corporativa de uma organização. Tudo que pode interferir na sustentação da marca. Quem trata do corpo de uma organização, saberá administrar a marca e seu universo de elementos: identidade, reputação e imagem.

Fonte: Lala Aranha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O impacto das inovações tecnológicas na comunicação

Há algum tempo, o mundo da comunicação tem estado agitado por causa do impacto das redes sociais nas empresas e pelo modo como as organizações se comunicam com a sociedade. No entanto, se traçarmos uma perspectiva histórica, veremos que os novos meios de comunicação e as novas tecnologias sempre influenciaram e modificaram nossa atividade profissional, além do que desempenhamos em comunicações, relações públicas, publicidade ou marketing.
    
Vejamos alguns marcos:

-    As comunicações nascem e ganham impulso com a Revolução Industrial, mas a alfabetização maciça do final do século XIX e as novas tecnologias de impressão massificam a leitura de jornais. Os pais das relações públicas, como Ivy Lee e Edward Bernays, focaram seus primeiros esforços nos jornais e, pouco depois, no rádio.
-    A popularização do rádio, entre 1920 e 1940, gerou enormes desafios e oportunidades para os comunicadores. Os grandes acontecimentos eram relatados pelos comentaristas, chegando a um público maciço, muitas vezes analfabeto. Os produtos de consumo em massa tiveram a oportunidade de se destacar como nunca antes haviam conseguido.
-    O surgimento da TV, nos anos 40, impulsionou ainda mais a comunicação dos produtos de consumo em massa, graças à publicidade. O fator imagem permitiu não só relatar os acontecimentos, como também mostrá-los. Também nessa época, nascem as primeiras grandes consultorias de relações públicas dos Estados Unidos.
-    Nos anos 70, a tecnologia aplica um golpe nos publicitários, mas muito bom para as relações públicas: chega a TV por satélite e a cabo, e se amplia o controle remoto (e, com isso, o zapping). O público tem muito mais opções para assistir e passa a poder mudar de canal com um clique, se não estiver interessado no que está passando no momento.  Para as relações públicas, é aberta a oportunidade de “criar acontecimentos” que chamem a atenção da imprensa e dos consumidores.
-     Em 1993, nasce a web e, em 2004, a web 2.0, gerando as plataformas que tornam possíveis as redes sociais que, por sua vez, roubam maciçamente leitores dos jornais e telespectadores da TV. “O que tudo isso significa?”, perguntaram-se marqueteiros e publicitários do mundo todo. “Conversação”, um mundo onde os comunicadores se movem como peixes na água.

Como acabei de mostrar, cada inovação tecnológica de envergadura impactou a comunicação das organizações. Hoje em dia, as empresas divulgam seus produtos nas redes sociais, os políticos fazem campanha pelo Twitter e até os “manifestantes” se organizam pelo Facebook. Esse é o destino final para o mundo da comunicação? Não necessariamente. Eu diria que é um novo começo, que no futuro poderá ser afetado pelo impacto de novas tecnologias.

Examinemos algumas das coisas que estão acontecendo neste momento:
-    Redes: desde a utilização da primeira rede celular, em 1984, até as modernas LTE (4G) na atualidade, passaram-se 28 anos em que o mundo estendeu a conectividade por toda a parte.  Adicionalmente, a extensão maciça de redes Wi-Fi em lugares públicos eliminou os gastos de conexão para bilhões de pessoas.
-    Cidades hiperconectadas: há poucos anos essas tecnologias começaram a chegar a todos os setores da ação municipal, da administração pública aos hospitais, das escolas à segurança pública. E até se instalaram redes gratuitas. Nunca foi tão fácil conectar-se onde quer que seja. E, além disso, os governos agregam milhares de dispositivos de comunicações.
-    A revolução celular: mais de 4 bilhões de telefones no mundo dão exemplo de um dos fenômenos tecnológicos mais impactantes de nossos tempos.  A revolução atual é a dos smartphones, na qual a imagem e o som se unem com o acesso à internet onde e quando for necessário. E, com isso, mais aplicações, mais dados, mais conteúdo.
-    Mobilidade empresarial: tablets e smartphones empresariais, redes por todos os lados, equipamentos inteligentes. A revolução acontece não só em governos e entre os consumidores, mas também nas empresas. Tudo se digitaliza e conecta-se à internet.
-    Web 2.0: no mundo das aplicações, a mobilidade e as redes sociais se unem no mundo do 2.0, gerando novas regras de jogo o tempo todo. Em menos de dez anos, mudamos radicalmente o modo como nos comunicamos.

O que tudo isso tem a ver conosco? Estamos presenciando o nascimento de um mundo hiperconectado, tanto em tempo real quanto geograficamente. E isso está mudando radicalmente o mundo das comunicações. Um dispositivo móvel + uma rede sem fio + uma opinião fizeram nascer o repórter cidadão: cada cidadão é um repórter em potencial, porém com códigos absolutamente pessoais. Hoje o poder está na pessoa, que opina, testemunha, traz imagens em tempo real, informa e finalmente cria opinião. O homem comum se transformou em um grande criador de conteúdo, que compete com os meios tradicionais. É o estilo da cultura 2.0. As pessoas tendem a confiar mais na opinião de seus semelhantes, baseados em sua experiência pessoal, mesmo que sejam desconhecidos. Alteram o papel central dos líderes de opinião pública e das celebridades. Neste contexto, destaca-se a comunicação P2P (par a par).

Também estamos vivendo uma “mediamorfose”, em que os meios adaptam suas formas, esquemas comerciais e concepção tradicional às novas possibilidades da web 2.0. O surgimento de novos formatos jornalísticos e do jornalismo 2.0, no qual o público é o protagonista, prediz uma nova época de desafios para os comunicadores.

O novo cenário obriga a mudar a educação e o perfil dos novos profissionais de comunicação. Passamos das relações públicas puras ao estrategista, na década de 90, e ao expert em redes sociais, na atualidade. Poderia ser até um paradoxo de excelentes estratégias da comunicação, que apenas saem do escritório, versus o paradigma anterior do homem com centenas de contatos pessoais. O novo profissional deve sobressair pela sua visão estratégica integral no manejo da comunicação, por seus conhecimentos de tecnologia e redes sociais, sua criatividade, bom julgamento e abertura mental para adaptar-se às inovações tecnológicas. Os novos profissionais devem estar sempre alertas e conectados à rede, e não somente a linhas telefônicas.

Caem velhos paradigmas da comunicação corporativa. Antes bastava convidar para almoçar 20 editores por mês para ter “tudo sob controle”. Agora acabou o controle absoluto: a única certeza é a incerteza. Os riscos são permanentes, porque passamos de um estado de alerta em relação a alguns poucos meios ao alerta permanente em relação a milhões de consumidores e ativistas.

As marcas passaram de símbolos distantes a elementos cotidianos que aparecem em conversas nas redes sociais, assim como em canções e artigos. As marcas se humanizaram ao se aproximar das pessoas. As empresas ainda estão experimentando com sorte variável sua presença na rede e seu lugar perante as novas tecnologias. Mas ainda há muito para aprender, porque isso está apenas começando.

Fonte: Gustavo Wrobel

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Como será a narrativa corporativa em 2012?

Qualquer aposta em uma direção pode ser falha. Não existe fórmula comunicacional pronta. Experimente, arrisque. O importante é manter a ética, seguir sua meta, seu coração e trabalhar para gerar uma construção coletiva de saberes. Se a dificuldade for grande, “sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade (...)”. Edson Marques!.

Como nosso bate-papo não segue um caminho linear, deixarei algumas migalhas na floresta, como fizeram João e Maria na fábula infantil. Ligue os pontos do jeito que preferir. A Coca-cola está apostando no diálogo do consumidor como fio condutor da sua narrativa até 2020. Vale conferir o vídeo . Já o Twitter criou um canal de histórias cotidianas (#TwitterStory). Roger Ebert ganhou uma nova voz depois que perdeu a sua capacidade de falar. Dr. Willy abriu o supremo tribunal africano para comunicação direta através do twitter. O jogador Chad Ochocinco fez 66 touchdowns e cobriu 10.000 metros recebendo passes. Mas no Twitter suas estatísticas são ainda mais impressionantes: ele possui mais de 2.8 milhões de seguidores. E ele não é o único jogador no Twitter, mais da metade dos jogadores ativos da NFL estão no Twitter. Nesta primavera ele surpreendeu seus seguidores com um convite para jantar. Mais de 100 seguidores compareceram para comer com o veterano da NFL.

Desde pequenos negócios como restaurantes até organizações multinacionais estão criando páginas ou perfis no Facebook e Twitter para divulgar suas marcas e se aproximar dos consumidores. Companhias americanas como IBM, Universal Music, revista Life e até o próprio Twitter diversificam suas ações também no Tumblr, serviço de blogging que entrou no ar em 2007. Segundo os criadores do Tumblr, até hoje já foram publicados mais de 12 bilhões de posts em mais de 33 milhões de sites cadastrados. Só no segundo semestre de 2010, houve um aumento de 1.500% em relação a 2009. Para o jornalista e pesquisador de mídia, Tiago Dória, o crescimento é o resultado do posicionamento de transformar o Tumblr em uma ‘fábrica de memes’, conteúdos que são viralizados na web. “Tudo começou com Christopher Price, então gerente de comunidades da ferramenta, que resolveu incentivar os usuários a criarem seus próprios memes. Diversos virais na web nasceram no Tumblr”.

Na sua opinião, qual fio condutor liga a Primavera Árabe, o Twitter e os memes? Ficou na dúvida, nem tinha ouvido falar em memes? Então “escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo (...)”.

Criativo foi Lucas Cabral Maciel, ganhador do prêmio da DM9. Vale acompanhar como foi sua viagem pelo blog ou pela fanpage. Preste atenção que Lucas deixou a sinestesia falar mais alto, não se impôs regras ou planejamento de mídias. Seguiu como um explorador. Walter Benjamin dizia que “um acontecimento vivido é finito, ou pelo menos encerrado na esfera do vivido, ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites, porque é apenas uma chave para tudo o que veio antes e depois. Num outro sentido, é a reminiscência que prescreve, com rigor, o modo de textura”. Deixe a memória trabalhar. Esse caráter de comunidade entre a vida e a palavra se apoia no trabalho, no lazer, no dia-a-dia, nas redes sociais da Web. Compartilhamento exige cuidado, emoção. Que venha 2012 com muita energia!

Fonte: Pollyana Ferrari

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Comunicação - educação e civilidade

Empresas buscam complexos e sofisticados meios para melhorar a comunicação entre seus funcionários – uma técnica que envolve elaborada estratégia e constante busca por melhores ferramentas e processos. Conduzi-la com eficiência e simplicidade é trabalho difícil, quase artesanal, e por melhor que seja a qualidade da sua realização, nada do que se faça garante o sucesso da intenção. 

Quando bem conduzida, torna-se uma poderosa ferramenta de gestão, pois funciona como um amálgama unindo os interesses entre departamentos e pessoas. Ao lado da falta de capital de giro, a comunicação é um dos principais problemas das empresas.

Hoje considerada responsabilidade de gestores especializados, normalmente jornalistas, RPs ou publicitários, a comunicação poderia ser mais eficiente se cada funcionário fizesse a sua parte. E essa, a meu ver, está em sermos mais educados no ambiente em que trabalhamos. Quando falo em educação, falo no sentido da civilidade e dos bons modos. Explico melhor.

Vamos começar pelo nosso costume em não devolver ou fornecer informações às pessoas com as quais estamos realizando algum trabalho. A isso damos o nome de feedback ou retorno. Se dermos notícias precisas, constantes e na dose certa sobre o andamento dos trabalhos, os processos fluiriam melhor e as decisões poderiam ser tomadas no tempo certo. 

Um péssimo costume é o de não escutarmos com atenção o que o outro está dizendo. Normalmente, estamos mais focados em nossa opinião sobre o assunto em tratativa do que na fala do outro. Muitas vezes, de forma pouco educada, cortamos o interlocutor para apresentar apressadamente o que pensamos a respeito do tema, e não nos damos tempo para escutar e refletir sobre o que está sendo dito. Que tal se começássemos a praticar a arte da escuta ativa? Isso mesmo, escutar mais do que falar, mas escutar mesmo, com atenção, a fala do outro. 

Outra ideia é adicionar ao mundo corporativo a prática do elogio e do reconhecimento. Estamos tão presos ao hábito da crítica, do julgamento e da condenação, costumes que andam pari passu com a rádio-peão e a fofoca – eternos inimigos da boa comunicação – que nos esquecemos da força dos elogios e deterioramos os processos comunicativos. Se começarmos a elogiar e a reconhecer os bons feitos dos nossos parceiros, com certeza a qualidade geral do ambiente e dos trabalhos melhorará muito. 

A conversa fútil e a tagarelice também se apresentam como inimigas da boa comunicação. Deixe morrer em você as últimas notícias da rádio-peão que ouvir e estará prestando importante colaboração ao grupo ao qual pertence e principalmente a si próprio. Plutarco, pensador romano, escreveu um belíssimo tratado sobre os perigos da tagarelice.

Comunicar quer dizer: tornar comum, partilhar. Muitos, por insegurança, inveja e falta de colaboração com os parceiros, guardam para si as informações, muitas vezes preciosas, não repartindo o que sabem. Com isso, travam processos e induzem a erros. Ambiente empresarial exige cumplicidade, palavra que significa andar juntos em comunhão de interesses. E essa vai pedir uma colaboração constante, ou seja, deve-se acompanhar o raciocínio do outro e também dizer menos “nãos”. 

O mundo corporativo, como no futebol, exige que seus protagonistas conversem mais entre si, sobre o que estão pensando e fazendo. Hoje essa conversa está centrada na ferramenta e-mail e não na conversa pessoal. Contribuiríamos muito com a fluidez e o entendimento da comunicação se saíssemos da frente dos computadores e fôssemos conversar com nossos parceiros. Manter a conversa sempre é o segredo do negócio e passar e-mail não é sinal de que o trabalho andou ou foi bem interpretado. O maior erro da comunicação é pensar que ela se processou.

Fonte: Eloi Zanetti

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O futuro na comunicação empresarial


Não se trata de uma brincadeira de adivinhação ou uma suposição fantástica sobre como será o futuro para as pretensões da ciência aplicada conhecida por comunicação empresarial. Trata-se de como a comunicação empresarial pode, por meio da vanguarda que encerra a pesquisa científica em sua essência, ajudar a desvendar as tendências sobre o futuro e reduzir suas incertezas. Apesar de parecer dispensável, este exercício pode manter vivos momentos de discussão que transcendem o cotidiano dos afazeres e resultem na tarefa de repensar constantemente a gestão das organizações.

Seja sobre o futuro da tecnologia aplicada às ferramentas de comunicação e suas utilidades, seja sobre o futuro da vida em sociedade e seus reflexos nas organizações, o conhecimento atual, somado às tendências levantadas cientificamente deverão nortear o planejamento da comunicação empresarial e da própria organização para livrar a todos do perigo e das armadilhas da ignorância, sob pena de vivermos num clima de infinita teoria conspiradora, onde o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o natural e o artificial se confundem nas percepções e induzem a organização e seus atores a erros.

Na medida em que, por meio do seu processo de gestão, a comunicação empresarial em conjunto com as demais especialidades da organização pode trazer à realidade evidências que objetivam intenções de ação numa perspectiva futura, de planejamento a partir da construção de cenários, podemos correr menos riscos de sermos conspiradores agindo contra nós mesmos, parecendo gestores lunáticos repousados na excentricidade, no bizarro, na insanidade, no extremo.

A construção de cenários futuros pode ter uma contribuição decisiva da comunicação
empresarial pela capacidade de abstração de seus profissionais. As áreas de planejamento e gestão deveriam deter um pouco mais o olhar para este aspecto e não deixar o processo de planejamento enveredar num viés reducionista que pode não considerar outras variáveis críticas, fatores controláveis e incontroláveis que transformam a visão sobre o futuro numa imagem opaca.

O futuro, na comunicação empresarial, deverá considerar uma gestão ainda mais próxima do orgânico, onde seu caráter transversal implique na implementação de conselhos gestores para temas que a estrutura convencional da organização não consiga dar conta da resolução de problemas no contexto atual e futuro. Lançar novos olhares sobre a comunicação empresarial e imprimir-lhe maior virtualidade estrutural e flexibilidade operacional requer também um novo pensamento acadêmico-científico sobre esse campo de estudo, formando agentes de mudança a partir de uma reintegração entre a organização e a universidade.

Muitos esforços vêm sendo feitos nesse sentido, mas os fatores de produtividade e lucratividade ligados à produção de bens e a oferta de serviços ainda são dominantes nas organizações e nas universidades. Talvez ainda estejamos enxergando apenas a parte visível de um iceberg, há muito por ser desvendado sobre as potencialidades da comunicação empresarial no que não está visível, pois permanece submerso num oceano tecnocrático.

Fonte: Paul Edman

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Reflexões sobre como contar histórias em ambiente organizacional

As narrativas são eficientes meios de interação, pois comunicam, fornecem e transmitem informações. Esse ato está encontrando uma nova forma e novos objetivos na mídia tecnologizada. Não interessam mais só as qualidades do produto em si, como argumento para a venda, mas interessa também criar uma narrativa em que a trajetória da organização seja inspiradora e crie conexões que podem desencadear relações e, por conseguinte, amparar negócios. Contar histórias através de várias mídias é algo básico, essencial, simples e poderoso.

Lucena Filho, Villegas e Oliveira (2008) atestam que as histórias acompanham as origens sociais do ser humano na tradição oral e escrita. Sempre que uma história é contada, fala dos atores e dos feitos em contexto particular e apresenta experiências que contribuem para a aprendizagem dos narradores, leitores ou ouvintes. Segundo o contexto no qual é criada/estruturada, a história pode gerar espaços de reflexão do passado e inspiração para a transformação do futuro. A evocação de uma vida particular utiliza componentes das grandes histórias, ainda que desejando assumir uma singularidade ou um ineditismo. Em geral, serve-se da primeira infância e delineia uma trama de acontecimentos – cuja ligação, sincronia ou adversidade são constatados muitas vezes durante a própria fala, numa narrativa que contem conflitos, personagens (protagonistas, figurantes e extras), cenários e transições. Não é raro que uma história contenha fatos agregados ou minimamente inspirados em materiais narrativos de outras pessoas – numa contaminação natural e irrecusável.

A presença do contador de histórias ressurgiu a partir da década de 70 em vários países do mundo. Foi um retorno considerado surpreendente, tendo em vista a industrialização, a urbanização, a tecnologia e a tendência à intermediação. O contador de histórias, segundo pesquisa de Busatto (2006), recebeu vários nomes ao longo do tempo: era o ‘rapsodo’ para os gregos; o ‘griot’ para os africanos; o ‘bardo’ para os celtas, todos empenhados na narração oral como via para organizar o caos e perpetuar e propagar os mitos fundacionais de suas culturas, como “portador da voz poética”, nas palavras de Zumthor (1993) - a gestualidade própria do contador requer uma totalidade, ela recusa a distância interpretativa e elimina a alegoria. O corpo molda o discurso, com os gestos que engendra no espaço, explicitando, num desenho em movimento, a forma externa do poema. É essa forma que substituirá na memória depois que as palavras se calarem.

A preparação da contação de histórias pressupõe um equilíbrio entre treinamento prévio e improvisação. Fazer um roteiro é um caminho, ainda que reconhecendo o inesperado das intervenções ao vivo, onde devem constar os elementos que devem ser evocados, sua ordem e ênfase. A apresentação em si requer estar à disposição do momento narrativo, com a energia embutida e reconhecida pela plateia. Nesta tarefa, convém estar livre de qualquer obstáculo físico, como um púlpito, um microfone muito visível ou mesmo um bloco de anotações, e por isto a expressão corporal ganha relevância. É o instante de ter cuidado com expressões faciais ou movimentos, embora não a ponto de ser uma atuação, e também com o ritmo e o volume da voz, preservando um necessário estado de alerta (DENNING, 2006).

É preciso separar o tema da história do seu argumento, ou seja o que se fala e as relações causais entre os acontecimentos. Também é preciso diferenciar a trama (estrutura ou aparato mecânico da história) do sentido (a verdade desejada a transmitir). Outro ponto fundamental na elaboração de histórias são os conflitos. Pode-se falar basicamente de três tipos: conflitos internos dos personagens com eles mesmos; conflitos externos entre personagens ; e destes com o ambiente. Os relatos que contiverem estas modalidades misturadas têm mais possibilidade de persuasão e relevância no tempo, com mais uma chance  de identificação junto a quem ouve. O mundo empresarial, em geral, é reticente em introduzir estes embates do ‘princípio de antagonismo’ (NÚÑEZ, 2009).

O ponto da narrativa é a sua razão de ser, além disto precisa ser contável, isto é fazer referência a algo extraordinário ou mesmo comum mas com um grande ensinamento sugerido. A mensagem central e a reportabilidade são componentes que garantem a carga dramática e o clima emocional, onde o narrador utiliza recursos linguísticos-discursivos, conforme ensina Bastos (2004), como intensificadores lexicais (como uma briga muito feia), fonologia expressiva (alongar vogais, como uma briga muuuuuiito feia; ou acelerar ou diminuir o ritmo da fala e aumentar ou abaixar o volume da voz), repetições (tipo uma briga muuuuiito feia, mas muuuuiito feia mesmo).

Uma análise importante na ‘Economia da Atenção’ é a impaciência das pessoas para esperar o desenrolar tradicional da apresentação, nó e desenlace de uma história. Por isto, uma recomendação tem sido começar pelo clímax. Nesta mesma linha perceptiva, a narração cronológica perde espaço para o uso da retrospecção (ou flash-backs), antecipação e elipse (omissão voluntária de trechos). Diz Machado (2004) que “a experiência estética da escuta depende da cadência do narrador; o ritmo da narração é fundamental na forma de contar”, sendo importante pensar na modulação de voz e na expressividade dos silêncios, dos gestos corporais derivados e do direcionamento do olhar. Há sempre um desafio sobre o tempo oferecido pelos demais interlocutores para ouvir uma história plenamente desenvolvida, sobremaneira a ponto destes abrirem um espaço mental para relacionar a narrativa a seus universos particulares.

Taylor et al. (apud BRUSAMOLIN; MORESI, 2008) investigaram por que algumas narrativas são mais efetivas que outras, sendo que a estética da história pode ser selecionada segundo os seguintes aspectos: sentimento de significado – a intuição do ouvinte tende a acreditar na história; conectividade – a história desperta ressonância no ouvinte, que viveu experiência semelhante; apreciada por si mesma – a história é agradável e por isso aceita pelos ouvintes, que reduzem seus filtros críticos e possíveis questionamentos.

Alex Pentland, em recentes pesquisas no Human Dynamics Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), afirma que o teor do discurso pesa menos do que o modo como se expressa. Tudo é pensado a partir dos “sinais honestos, pistas não verbais que espécies sociais usam para se coordenar – gestos, expressões, tom de voz. [Eles] são singulares porque provocam alterações no receptor do sinal”. O estudioso, naturalmente, não dispensa a análise sobre o conteúdo do discurso, que pesaria mais para o sucesso a longo prazo, mas postula a importância de cuidar do formato da narrativa.

Há visões que indicam que performances de contadores de histórias contêm muitas das condições necessárias para induzir transes, aqui entendidos como estado de consciência voltado para dentro da pessoa, de tal forma que os olhos dos ouvintes possam estar no contador, porém suas consciências estão voltadas para dentro delas mesmas. É o que Benson (apud SUNWOLF, 2005, p.311) fala sobre “resposta relaxante”, quando os ouvintes encontram-se relaxados, abertos para uma retenção mais ativa daquilo que está sendo dito e ficam menos defensivos. Uma boa narrativa é aquela que podemos aceitar ou rejeitar e, paradoxalmente, tal liberdade torna mais provável a aceitação.

Fonte: Rodrigo Cogo

sábado, 17 de dezembro de 2011

Transparência é fundamental


Quais as lições que se pode tirar quando uma empresa não conta toda a verdade sobre determinado assunto? Casos recentes nos setores de petróleo, bens de consumo e varejo são emblemáticos. Merecem ser analisados e suscitam reflexões sobre o trabalho de comunicação corporativa. Muitas vezes, a “culpa” por esses episódios é delegada à área de comunicação. Mas não: a culpa é de toda a companhia, que optou pela falta de transparência no seu relacionamento com a sociedade – e sofreu as consequências dessa opção.

A sociedade vem se transformando de forma incrivelmente rápida nos últimos anos, o que exige uma nova postura e uma quebra de paradigmas por parte das empresas. No passado, eram poucos os “atores” que contracenavam com a empresa no seu ambiente de negócio, em sua maioria restritos à cadeia de produção e com estruturas hierárquicas bastante similares. As regras de atuação no mercado eram estáveis e conhecidas.

Como bem definiu em palestra recente o executivo da área sustentabilidade da Fibria, Carlos Alberto Roxo, essas regras hoje são mutantes, as empresas contracenam com inúmeros atores, que estão inseridos em uma sociedade conectada em rede. Diz ainda que esses atores possuem estruturas totalmente diferenciadas, que exigem das empresas “tradicionais” compromissos e respostas às novas demandas sociais e ambientais, demandas de repercussão global.
A maneira mais eficaz de responder a essas novas demandas e desafios impostos pela sociedade é agir com transparência. Aqui se ressalta o papel do comunicador. É ele o principal guardião e difusor de uma cultura de transparência dentro das organizações. Pois a transparência da comunicação gera credibilidade e reputação, e esses são os maiores patrimônios que um profissional de comunicação corporativa pode ter.

Junto ao público interno, o comunicador deve ser visto como um “advisor”, um especialista nos aspectos ligados à comunicação (entendida aqui no seu sentido mais amplo). Ele deve ser capaz de dar consultoria de alto nível, apoiar de forma eficaz e rápida a tomada de decisão, contribuir para agregar valor à companhia por meio de uma visão estratégica do negócio e zelar pelos aspectos ligados à sustentabilidade.

Perante o público externo, notadamente os formadores de opinião, o profissional de comunicação corporativa deve ser visto e percebido como ético e confiável, como alguém que prioriza a informação de qualidade e que nunca atua de forma dissimulada. A credibilidade do responsável pela comunicação de uma empresa junto a ex-colegas nas redações contribui para a reputação da própria companhia. De certa forma, ele “empresta” o seu prestígio pessoal à organização para a qual trabalha.

Isso porque credibilidade e reputação não são como um ativo que se pode “comprar” ou “conquistar” quando se deseja. É uma espécie de “poupança”, um patrimônio que se vai acumulando ao longo do tempo, aos poucos.

Valor inegociável

O profissional de comunicação deve estar ciente de que ninguém gosta de ser enganado, nem tampouco de ser informado apenas parcialmente sobre o que está de fato ocorrendo. Para o público interno, as conseqüências de uma comunicação pela metade podem ser frustrantes. O funcionário que descobrir a “verdade” por qualquer meio que seja (e perceber que esta verdade é distinta da qual imaginava), verá rompida a relação de confiança com seu empregador – relação essencial para seu engajamento e para a consolidação da cultura organizacional.

No relacionamento com os públicos externos formadores de opinião, o resultado de uma comunicação propositalmente parcial, tendenciosa ou camuflada pode ser desastroso. Esses públicos, notadamente a imprensa, entendem perfeitamente que determinadas informações não podem ser divulgadas – por conta de limitações legais, por exigência dos órgãos reguladores ou por razões estratégicas do próprio negócio. O problema é que existe uma barreira ética entre a postura de não estar autorizado a comentar determinado assunto e a decisão deliberada de sonegar, mentir ou manipular informações.

Determinadas companhias podem até considerar tênue essa linha que separa os dois comportamentos. A questão é que a ética é um valor inegociável.

No caso do profissional de comunicação, a firmeza de propósitos e a ética devem vir em primeiro lugar na sua escala de valores. Sua reputação e credibilidade dependem da confiança conquistada ao longo de sua vida e de sua carreira perante todos os seus interlocutores.

A convivência desse profissional com uma empresa pouco ética pode macular sua própria reputação, pode contaminar sua credibilidade no mercado. Por isso o profissional deve vincular sua “marca” pessoal a uma boa marca empresarial – uma companhia que tenha valores alinhados aos seus e uma postura eticamente irretocável. Afinal, transparência e ética andam de mãos dadas.

Claro que defender uma política de transparência na empresa pode ser uma missão nada fácil para o comunicador. Em muitos casos, ela implica em uma mudança cultural, que considere a prestação de contas à sociedade como algo mandatório para o desenvolvimento dos negócios. É um dos principais desafios do comunicador.

Carlos Alberto Roxo define a sustentabilidade não como um alvo a ser atingido, mas como “uma estrada com um final que se desloca continuamente”. O importante, diz ele, é a empresa não se desviar desse caminho.

Temas sensíveis

Agir com transparência significa abordar qualquer assunto, tratar dos chamados “temas sensíveis”, encarar todos os problemas. Significa assumir no discurso institucional que os problemas “existem”.

Muitas vezes, nos “media trainings” e preparações de porta-vozes para entrevistas, nós, especialistas em comunicação, recomendamos que os executivos evitem frases do tipo “o problema é que...”, ou “quando temos esse tipo de problema...”
Como se, numa espécie de exercício neurolinguístico dos porta-vozes, esse problema deixasse de existir. Eventualmente essa postura pode até dar bons resultados na mídia. Mas será correto fingir que o problema existe?
Melhor optar pela transparência. Sempre. A sociedade agradece.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A boa e velha "nova tecnologia"

Ao chegar a uma loja de aparelhos eletrônicos, a impressão que muitos tem é que perdemos alguma parte da história. São tantas novidades. Tantas coisas antigas reinventadas. Tantos aparelhos e aplicativos. Tanta novidade que, ao comprar qualquer equipamento, dificilmente nos desvencilhamos da sensação de que em questão de dias teremos algo obsoleto.
Passamos muito tempo pensando desta forma, passeando por várias lojas, e acabamos por não comprar nada, afinal, daqui a pouco lançam uma novidade melhor.

E quando este sentimento nos acomete profissionalmente?

Já não são poucas as vezes que fui consultado sobre o valor das novas tecnologias para o ambiente corporativo. As dúvidas praticamente se repetem na maioria dos casos.

Desde questionamentos éticos até os debates de autonomia e engajamento, tudo parece caber na seara digital. Ao responder, busco sempre compreender o que de fato motiva tantas perguntas. Em algumas empresas o que se procura é uma justificativa para usar as redes sociais. Em outras, busca-se o oposto, uma forma de condenar seus riscos a fim de garantir a aparente calmaria dos anos anteriores. Outros tantos profissionais questionam com franqueza e desejo de se aprofundar em algo tido como novo. Mas até que ponto já estamos pensando no trabalho cotidiano de modo inovador?

Com tantas inovações, muitas empresas estão revitalizando, por exemplo, seu canais de comunicação. São murais eletrônicos, canais corporativos de televisão, newsletter interativa. Mas convenhamos que estas são inovações do passado. São remodelagens para um conteúdo muitas vezes sutilmente alterado.

Ainda nos dias de hoje é difícil citar alguns exemplos de empresas que já criaram aplicativos para celular, ou mais conhecidos como APP, que fossem direcionados para seus colaboradores. Encontramos muitos aplicativos para clientes, para leitores, para grupos de profissionais, ou seja, para os outros. Raros casos nos quais dedicamos tempo e investimento para atingir positivamente as potencialidades tecnológicas quando o assunto é o próprio colaborador.

É claro que a realidade tecnológica e cultural do brasileiro é extremamente variada, mas em um país cujas linhas telefônicas já superam o número de habitantes, poucas são as grandes ações que utilizam o celular como veículo de comunicação de forma não-invasiva.

Há alguns anos a publicidade já encontrou maneiras interessantes de trabalhar com esta mídia mas ainda hoje os jornalistas das grandes redações continuam recebendo centenas de releases à moda dos idos anos 80. Por vezes alguns jornais murais corporativos acabam apenas ganhando um bom layout, mas o investimento em capacitação contínua do profissional de comunicação fica relegado às próprias custas.

Como os profissionais da comunicação empresarial podem realmente utilizar as inovações tecnológicas se poucos tem a oportunidade de serem treinados, de participarem realmente de um processo contínuo de evolução do conhecimento e das habilidades?

Para ter uma visão rápida deste cenário, basta tentar descobrir quantas pessoas ao nosso redor conhecem medianamente tecnologias como NFT, do inglês Near Field Communication, ou sequer o QR Code, ou Quick Response Code, duas tecnologias hoje simples, que na mão de jovens e artistas tem ganhado significados diversos e ricos, e que passam silenciosas pelos horizontes empresariais. Se inclusive o que está tanto em pauta nos dias de hoje é amplamente desconhecido, como falar da Espiral do Silêncio, nossa velha conhecida, ou das evoluções nas teorias de comunicação?
O encantamento com a tecnologia está fazendo com que sejamos aqueles compradores na loja de tablet. Tudo parece estar brilhando, impecável e às vias de ser ultrapassado. Tanto que nos basta um olhar desatento para aparentar conhecimento profundo da tecnologia.

Imagine quantos são os celulares que passeiam pelos elevadores das empresas, sendo que poucos deles fazem algo diferente do que levar o nosso colaborador a um universo completamente apartado da empresa. Isso ocorre pois ainda nos dias atuais as empresas muitas vezes pensam na internet como o pote de ouro no final do arco-íris, mas por onde apenas os clientes transitam. Fornecedores, colaboradores, acionistas. Tantos públicos mal são considerados.

Antes que haja um ponto final neste texto, se faz mister relembrar que, da mesma forma que a internet tem sido tanto sub quanto superestimada, não basta mergulhar nas ondas da web sem ter se preparado para um choque cultural. Poucas são as empresas que já estão culturalmente preparadas para um novo paradigma tecnológico.  Mesmo que haja o desejo sincero de inovar, parte disso depende de muito esforço, treinamento, abertura e, tão importante quanto, valorização dos próprios colaboradores.

A internet, hoje apelidada grosseiramente de 2.0, não é só mais um ambiente de negócios. Ela é parte da sociedade. Já se tornou parte da esfera pública. É fator de transformação. Se estes reflexos ainda não foram profundamente percebidos em sua empresa, grosso modo, ou há negligência e as transformações tem sido sistematicamente ignoradas ou a zona de conforto atingiu a grande base corporativa, que pode estar rumando para a obsolescência generalizada não mais apenas da estrutura, mas também do grupo de colaboradores que constroem a alma da corporação.

Fonte: Mauricio Felício

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Relacionamento de valor



Os aspectos político e comercial são, desde o século XVIII, os pilares históricos da relação entre empresas, imprensa e sociedade.

Diante das transformações provocadas pela indústria, a imprensa, inicialmente os jornais, consolidou sua identidade de grande formador de opinião sobre os temas avaliados pela redação como de interesse da sociedade moderna. O poder de falar rapidamente com todos sobre produtos e serviços sob o ponto de vista do veículo de comunicação foi decisivo para transformar leitores em eleitores e também em consumidores, comunicando idéias e produtos. 

A partir de uma visão virtuosa, pode-se afirmar legitimamente que a imprensa contribuiu para o sucesso ou a derrocada de personalidades, empresas e instituições. Para exemplificar a força do protagonismo da imprensa, destaco do início dos anos 1900, a ação do jornalista norte-americano Ivy Lee, que organizou e civilizou o relacionamento do magnata norte-americano John Rockfeller, seu cliente, com os principais jornais dos Estados Unidos. Rockfeller era odiado e identificado pela sociedade, trabalhadores, autoridades, comunidade e principalmente pelos sindicatos como um “robber-baron”, um barão-ladrão, uma expressão pejorativa, sinônimo de monopolista, capitalista selvagem; eram alguns dos xingamentos amplificados pela imprensa da época, que lembram as atuais palavras de ordem contra o capitalismo financeiro ecoadas por movimentos como “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e os seus similares em outras grandes cidades. Rockfeller precisava defender e legitimar os seus negócios, antes que a sociedade acabasse com eles. E nesse ambiente, Lee entrou em campo e criou pioneiramente uma nova imagem para Rockfeller ao fazer-lhe uma série de recomendações de como se relacionar com a mídia. Lee tinha amigos nas principais redações e endereçou-lhes uma carta de princípios em que se colocava, como porta-voz de Rockfeller, sempre à disposição dos jornalistas para fornecer notícias verdadeiras. O seu “manual” recomendava visitas das fontes às redações, simulações de entrevistas, entre outras ações e marcou o início das relações públicas contemporâneas. E, também, o prosseguimento, em um patamar mais sofisticado das – nem sempre pacíficas – relações entre as fontes empresariais e os jornalistas sedentos por informações, principalmente nas situações em que as empresas apresentavam problemas de competência, legalidade ou legitimidade.

Hoje no Brasil as empresas presentes no ranking “Melhores & Maiores (As 1000 maiores empresas do Brasil)”, editado pela Editora Abril, contam com áreas e agências especializadas em relacionamento com a imprensa. O tema, nos últimos 50 anos, é o mais estudado por comunicadores e professores no campo profissional e acadêmico. Na prática, todos sabem que a excelência nessa relação é ameaça e oportunidade. Más notícias geradas por crises atraem os olhos da imprensa, que tem forte comportamento de matilha: está sempre pronta para destroçar a vítima que sangra. Nesses momentos são testados duramente pela imprensa os valores prometidos em ideários, muitas vezes até banalizados pela comunicação empresarial, como a ética, a verdade e a transparência. Mas, felizmente, o cotidiano das empresas contém também boas notícias, que exemplificam a utilidade e a transcendência do negócio, reforçam a percepção das marcas e os atributos dos líderes. E, mais do que nunca, legitimam e transformam empresas em instituições.

Fonte: Paulo Nassar

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Análise de Redes Sociais no diagnóstico das relações no contexto das organizações

A comunicação no contexto das organizações se efetiva na relação estabelecida entre os membros da organização e destes com redes externas. Nessa perspectiva, não basta conhecer o público, é preciso saber como ele se relaciona. 
Para reconhecer a comunicação a partir dos vínculos diretos e indiretos, propõe-se mapear a rede de relações resultante das trocas informacionais, feitas de forma presencial ou mediada por uma pessoa, ou por meios como o telefone, e-mail ou documentos. Ao analisar a comunicação por esta perspectiva, a Análise de Redes Sociais (ARS) possibilita identificar, dentre outras, as pessoas que retêm a informação, as mais influentes e centrais, bem como as mais periféricas e isoladas do grupo.

Assim, é possível detectar relações de cooperação e conflito, bem como avaliar as competências e o poder de cada membro da organização, a influência da hierarquia e de interesses individuais, as interações dentro dos setores e transetoriais. No âmbito das redes externas, cabe considerar, por exemplo, o atendimento, a captação de informações que possibilitem adequar a organização às demandas e as relações estabelecidas com outras organizações.

A população da rede a ser analisada pode ser delimitada a partir das relações mantidas por uma pessoa, ou dentro de um grupo com perfil específico e também mediante citações em cadeia. Os dados relacionais, obtidos com questionários que podem mesclar questões fechadas e abertas, são facilmente sistematizados por programas como o UCINET 6.0 for Windows. Utilizando o número um para identificar existência de relacionamento entre dois membros do grupo e o zero para a inexistência de relacionamento, os dados são lançados no programa em forma de matriz binária. A partir desses dados, ele fornece métricas relativas à estrutura do grupo e à posição e influência de cada ator na troca de informações, além de gerar a representação gráfica da rede. 

A análise de rede identifica os membros pelos quais passam os fluxos mais intensos, os que mais intermedeiam contatos ou aqueles cujo potencial pode ser mais bem explorado, além das conexões diretas e indiretas, o grau de reciprocidade e a interação dentro e entre os subgrupos. De forma análoga, também é possível identificar aqueles que dificultam o processo comunicacional.

A importância de um ator no acesso e disseminação da informação é revelada pelo volume e o tipo de ligações que possui, a posição que ocupa e a direção e intensidade do fluxo da informação. Um indivíduo é central em uma rede quando pode comunicar-se diretamente com muitos outros, está próximo de muitos atores ou, ainda, quando intermedeia muitos contatos.

Assim, a análise da comunicação organizacional sob o prisma das relações em rede, possibilita responder questões como: com quem cada indivíduo busca informação sobre determinado assunto; quais membros se conhecem ou quem tem acesso a quem; com que frequência trocam informações; se os colegas sabem com quem buscar cada tipo de informação; se utilizam tais fontes. 

Ao considerar a capacidade e os recursos informacionais de cada membro e sua competência em compartilhá-los, a análise das redes de relacionamento e informação oferece meios de aprimorar a comunicação, respeitando a autonomia e as diferenças individuais, bem como aspectos específicos do grupo e do contexto. Portanto, conhecer como a rede se desenvolve é identificar caminhos para otimizar o fluxo de informações e as relações do grupo, intensificando o compartilhamento e promovendo a formação de novos laços. É ter informações para trabalhar estrategicamente a comunicação no contexto da organização. 

Fonte: Ivone de Lourdes Oliveira 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O imperativo ético na comunicação corporativa

É significativa a participação das assessorias de imprensa, internas ou terceirizadas, na composição do conteúdo jornalístico da mídia brasileira, como canais de relacionamento de empresas, entidades de classe, governos e ong´s com jornais, revistas, rádios, televisões e sites jornalísticos da Web. Esse processo é aparentemente saudável, levando-se em conta que os veículos de comunicação, dentro dos limites compreensíveis no contexto do capitalismo, demonstram não ter recuado em seu grau de independência e caráter investigativo.

A condição de fonte recorrente da imprensa implica imensa responsabilidade no trato da informação, o bem mais precioso deste século. A prevalência da ética na divulgação de notícias, respostas precisas às indagações dos jornalistas e transparência no esclarecimento de dúvidas e no gerenciamento de crises constituem atitude condicionante ao sucesso da meta de aperfeiçoamento da sociedade, melhoria da qualidade da vida e avanço socioeconômico do País. Enganam-se os que entendem ser inviáveis tais práticas sob o crivo dos interesses estratégicos das organizações. Afinal, a ciência da comunicação, cada vez mais avançada, oferece todos os recursos necessários à conciliação das duas vertentes.

Não pode haver antagonismo entre a comunicação corporativa e os parâmetros éticos que permeiam a cultura contemporânea de urbanidade. Esta consciência é imprescindível para uma nação que ainda luta por sua inserção no primeiro mundo. Assim, é oportuno refletir sobre dois aspectos essenciais à discussão do tema, ambos relacionados à efetiva missão do assessor de imprensa, função que representa parcela expressiva do mercado de trabalho dos jornalistas.

A primeira reflexão refere-se ao fato de que o profissional de comunicação não deve agir como advogado! Assim, nos gerenciamentos de crise, atendimento à imprensa em casos de denúncias contra seu cliente ou em situações análogas, o assessor de imprensa deve limitar-se à transmissão de informações. O bom jornalismo recomenda que denunciados tenham o benefício da dúvida e desfrutem o direito de dar sua versão para o caso. É este o papel do assessor, informando com precisão à mídia, de preferência por escrito, as alegações de seu cliente ou abrindo espaço para que ele próprio se pronuncie. A defesa retórica, contudo, cabe ao Departamento Jurídico ou à banca advocatícia. O outro aspecto a ser considerado é não confundir o exercício do jornalismo nas assessorias de imprensa com lobby — atividade, aliás, ainda não entendida tanto quanto não regulamentada no País.

Tomados esses cuidados essenciais na ocorrência de crises ou em campanhas voltadas à defesa de um setor de atividade, causa ou empresa, o jornalista da assessoria de imprensa, quando age de modo correto, vive deliciosa e apaixonante atividade de pauteiro, viabilizando a veiculação de notícias de real interesse da sociedade e da organização para a qual trabalha. Sua atuação, somada à dos profissionais que atuam na mídia, é muito relevante, pois permite sinergia a uma civilização compulsivamente geradora de milhões de informações por segundo, e o acesso ao conhecimento propiciado pelos meios de comunicação é crucial, pois integra o ser humano no seu tempo e lhe outorga a cidadania.

Fonte: Marco Antônio Eid

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A comunicação pública: além dos políticos e dos partidos



No momento em que a União Européia passa por mais uma crise, desta vez provocada pela quebra da Grécia e pela imagem, principalmente política da Itália, os principais comunicadores públicos europeus se reuniram em Veneza, em 10 e 11 de novembro.

A reunião aconteceu no âmbito das comemorações dos 25 anos do Club of Venice, organização fundada em 1986, pelo professor italiano Stefano Rolando,  para integrar e fomentar o diálogo daqueles que pensam e fazem a comunicação pública da Europa.

Neste ano, a reunião teve como tema principal os aprendizados, os desafios e as perspectivas que a comunicação, que tem os cidadãos como razão de ser, tem pela frente, principalmente em um momento como o da crise européia.

A maioria dos palestrantes que falaram na Sala Monumental da Biblioteca Marciana, na Praça San Marco, fez questão de destacar que o cidadão tem o direito na sociedade democrática e digital à comunicação digital, o que significa nenhum tipo de barreira à mídia social, e  wi-fi abrangente.

Veneza é um exemplo de digitalização pública, como destacou na abertura da reunião o prefeito da cidade, Giorgio Orsoni. A cidade, quase imemorial, já é também uma cidade do futuro, quando olhada pelos seus recursos de comunicação digital ofertadas aos venezianos e seus milhões de visitantes.

O que se destacou, também, na reunião do Club of Venice é que a comunicação pública tradicional se cristalizou em propaganda de Estado. O que tem representado uma informação que os políticos e os partidos, usando recursos humanos e tecnológicos públicos, despejam na cabeça dos cidadãos, com o objetivo, quase explicito,  de se perpetuarem no poder. É esta comunicação de Estado manipuladora de fatos e números que está sendo responsabilizada aqui como uma das produtoras dos rombos nas contas públicas da Grécia e da Itália. Políticos, com a ajuda das máquinas de comunicação estatais e da mídia de massa controlada, maquiaram balanços até faltar dinheiro para pagar as contas do dia-a-dia.

A hora do branding público
 
Diante de uma comunicação de Estado questionada por uma realidade comunicacional em que todos, usando smartphones e redes sociais, se comunicam com todos, os comunicadores públicos que integram o Club of Venice defendem o branding público. Uma comunicação que valoriza os patrimônios simbólicos das sociedades, além dos estereótipos e da visão estritamente mercadológica, muitas vezes étnicos, econômicos,  territórios, etários e de gêneros. O chamado branding público quer comunicar e enraizar nas sociedades européias o direito dos cidadãos à informação pública transparente e temas importantes para sociedades, integradas por massas de imigrantes, velhos e jovens, como a solidariedade intergeracional, o voluntariado e uma visão cosmopolita do mundo.  É por isso que comunicadores brasileiros foram convidados, pela primeira vez, para falar no Club of Venice sobre a globalização da comunicação e a visão que os brasileiros têm da Europa.

Fonte:  Paulo Nassar

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quanto vale mudar o mundo?



Depois de passarmos pela década da informação, os dias atuais se pautam muito mais pela co-presencialidade. Parece estranho pensar que os tempos da informação se foram, mas é um pouco disso que vivenciamos cotidianamente.

Quando a curva de adesão à Internet mostrou seus traços iniciais, todos proclamaram o fim de uma era, como se tivéssemos um único ponto de transformação. Como se pudéssemos trabalhar em uma linha do tempo Antes da Internet e Depois da Internet. As mudanças já se preparavam para ganhar escala. O embrião estava lá, mesmo dentro das maiores ditaduras.

A transformação pede mais do que uma novidade, mais do que uma mudança. Pede novos paradigmas, pede um novo pensamento, que não se baseia exclusivamente no online, mesmo que tenha nele um dos seus pilares mais evidentes na manutenção de uma relação diferenciada com nossos diversos papéis sociais.

Da informação, mudamos para a participação, mesmo que fisicamente distante. Nos primeiros anos do milênio dávamos importância aos que tinham informações. Quanto mais, melhor. Hoje o valor, principalmente nas redes, está em quem sabe o que fazer com tanto conteúdo. Os articuladores, os agregadores, os curadores são mais preciosos do que os informativos.

Mesmo que isso remonte à classificação trina da pauta jornalística, por exemplo, entre o conteúdo informativo, interpretativo e opinativo, a questão em foco desce a patamares mais profundos.
A legitimidade, dentro do tabuleiro político das dinâmicas sociais, não se restringe ao espaço tangível, material e presencial.

Mesmo estando em um tempo de participação, não havemos de ser hipócritas ou cegos aos indícios de que parte dos traços da pseudo-participação se mantêm nos dias de hoje.

São tantas redes e sites de relacionamento, vídeos, campanhas, causas, bandeiras. Não somos capazes de manter um envolvimento real, profundo e dedicado com tudo.

Ou o cidadão virtual opta por causas próximas aos seus valores ou se permite ter uma participação superficial no todo, quase pueril.

Mas como agentes de mudanças, não nos resumimos aos que se dedicam ao stricto sensu ou ao lato sensu, mas podemos ser catalisadores. Podemos ser otimizadores.

Abaixo está um exemplo de um personagem, hoje global, que não levantou uma única bandeira em meio a uma passeata. Ele não estava nas ruas para fazer cair os ditadores.

http://migre.me/5HmuR

Pensar sobre as implicações do trabalho de Julien Assange, fundador do WikiLeaks, sem entrar no mérito das acusações que recebeu, é ponto primordial para esboçar os traços tecno-culturais que estão há muito se delineando.

Entre a brincadeira do vídeo e a profundidade da mensagem, mantenho a pergunta. Quanto vale mudar o mundo?

Fonte: Mauricio Felício

sábado, 5 de novembro de 2011

Significado e representatividade

Nos anos 60 um jovem negro do Alabama despontou como boxeador de raro talento. Ao mesmo tempo em que exibia movimentos ágeis e leves, impunha força e precisão em golpes quase sempre certeiros. Apresentava um estilo novo, desconcertante, quase um bailado, bonito de se ver, principalmente quando derrotava adversários mais fortes. Conquistou logo os títulos de Campeão Olímpico e Mundial. Mas, apesar da fama, das medalhas e da glória que trazia para seu país, não podia entrar em lanchonetes e pedir um simples sanduíche. Na época, não permitiam negros em muitos bares e restaurantes nos Estados Unidos.

Além das habilidades esportivas, o jovem era competente no jogo das palavras e em atitudes de provocação. Seus desafetos prediletos eram a imprensa, com quem fazia jogos de cenas, o Governo e o Exército Americano. Acredito que foi ele quem inventou as provocações entre os boxeadores na hora da pesagem.

Esperto, não tardou a perceber que representava a indignação de boa parte dos americanos contra o status quo. Era uma época de grandes mudanças, diversos grupos ativistas levantavam causas e bandeiras por todos os lados. Com os ecos da Segunda Guerra ainda reverberando nos ouvidos e o espanto com novas invenções e conquistas, como o homem chegando à Lua, a sociedade já não tolerava mais atitudes e comportamentos como a segregação e o preconceito racial.

Compreendendo que o seu jeito de ser e se apresentar ao público representava boa parte desse inconformismo, o jovem boxeador soube usar essa imagem em benefício da sua carreira e, principalmente, a favor da causa maior: o direito das minorias. Aproveitando o poder que a mídia lhe proporcionava começou a esbravejar em alto e bom som: “Eu sou o maior! Eu sou o maior!” Quanto mais desafiava a ordem pública, mais força lhe era oferecida pelos admiradores. Para provocar mais ainda mudou seu nome de Cassius Clay para Muhammad Ali.

Recusou-se a servir no Vietnã e por causa disso foi perseguido, perdendo o título de campeão mundial. Voltou cinco anos depois num dos combates mais espetaculares de todos os tempos. Com a astúcia que lhe era natural derrubou Foreman, um lutador mais forte e mais bem preparado. E onde? Na emblemática África.

Outro jovem, da mesma época, Elvis Presley, entendeu que os inconformistas haviam-no adotado com símbolo na luta contra o falso moralismo. Sua explosiva mistura de música negra, swing e rebolados sensuais chegaram à medida e hora certas para incomodar o conservadorismo tacanho que teimava em querer ditar as regras do viver.

Perceber a representatividade é um dom, uma arte a ser usada com parcimônia e, principalmente, com inteligência. O herói fica prisioneiro daquilo que representa, por isso tem que se manter fiel aos anseios do seu público e a si mesmo. Assim, Picasso representa a derrubada da estética nas artes plásticas, Coco Chanel a revolução da moda feminina e James Dean o inconformismo juvenil pós-guerra.

Churchill e Gandhi souberam usar do seu carisma e do poder das palavras, da presença e dos exemplos pessoais. Ambos representavam o momento das suas nações e precisavam mostrar coragem, determinação, paciência e garra. Políticos, esportistas, músicos, artistas, escritores e pensadores, quando percebem o valor dos seus significados e administram suas carreiras com sabedoria, se perpetuam. Ayrton Senna e Pelé entre nós, e Lady Di entre os ingleses, são bons exemplos.

Quando uma expressão humana emerge de forma notável e espontânea nas artes, esporte, música, literatura ou na política e, se não foi fabricada pelas técnicas do marketing e da comunicação, é porque o inconsciente coletivo estava preparado e ansioso por recebê-la e tinha um desejo latente de identificação. Assim nasceram grandes heróis. O escolhido, além de carisma, deve ser forte o bastante para sustentar as exigências da sua nova condição. Os fracos e falsos ficam no meio do caminho. Nada mais frustrante para um povo do que ver o ídolo, ansiosamente esperado, desmoronar em bases mal alicerçadas.

Na política, onde a representatividade deveria ser a mais sagrada das funções, não têm surgido nomes significativos nos últimos tempos, e na ausência deles, nosso povo mira-se nas celebridades do momento. As colunas sociais, esportivas e de variedades estão cheias delas.

Fonte: Eloi Zanetti